Seguros – Se meios remotos serão ferramenta ou canal, caberá ao mercado definir

Até então restrita ao microsseguro, a venda por meios remotos, como internet, celular e televisão a cabo, foi ampliada para todos os seguros pela Resolução 294/13 do Conselho Nacional de Seguros (CNSP). Para analisar o impacto dessa medida sobre a comercialização de seguros, o CVG-SP convidou para o seu tradicional almoço mensal, no último dia 30 de outubro, no Terraço Itália, os representantes de duas categorias do setor. Pelo lado do segurador, Eugênio L. Velasques, presidente da Comissão de Microsseguro da Confederação Nacional das Empresas de Seguros (CNseg), e, pelo lado do corretor de seguros, Mário Sérgio de Almeida Santos, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP).

Em abordagens distintas sobre o tema, mas não necessariamente divergentes, os dois palestrantes manifestaram a preocupação comum da necessidade de adequação do mercado à nova realidade. Para Velasques, não se pode negar a tendência de venda de seguros por meios não presenciais. Porém, se esses meios serão usados pelo corretor de seguros para oferecer produtos aos seus clientes ou se funcionarão como canal independente de venda ao consumidor, ele acredita que caberá ao próprio mercado definir. A seu ver, seguradoras e corretores terão de estabelecer se os meios remotos serão ferramenta ou canal.

Já Mário Sergio enfocou a questão pelo lado da formação do corretor de microsseguros, que, para seu espanto, é realizada em curso de apenas 30 horas. Ele alertou para os riscos dessa incipiente formação profissional tanto para imagem do seguro perante o consumidor, como para a concorrência com os corretores habilitados. Em sua opinião, a tendência é que os corretores de microsseguro vendam outros tipos de seguros para aumentarem seus rendimentos.

“Tecnologia não é inimiga”

Se, atualmente, o mercado de seguros ainda não consegue mensurar o impacto do uso de meios remotos, o exemplo de outros segmentos que já enfrentaram esse desafio pode ser útil. Velasques trouxe o caso do segmento de turismo nos Estados Unidos, no qual uma das maiores agências, a Travelocity, se tornou um case de sucesso ao aderir à venda de passagens e hospedagem pela internet ao mesmo tempo em que reposicionou seus agentes como consultores. A façanha foi obra do empresário Terry Jones, gestor da Travelocity desde 1996, que percebeu a necessidade de reagir contra o decréscimo de 35% no número de agentes entre 1996 e 2010, período em que internet se consolidava como canal de vendas.

Segundo Velasques, Jones identificou a existência de uma parcela de clientes que não se importava em pagar pelo serviço de assessoria, desde que tivesse comodidade, conveniência e preço. “O mercado teve de ser exigente e o canal teve de se especializar em função disso. Hoje existem mais consultores de turismo do que os vendedores de pacotes do passado”, disse. Atualmente, a Travelocity é a sexta agência de turismo nos Estados Unidos e a segunda online.

Outro exemplo apresentado por Velasques foram as previsões de um corretor de seguros – um “visionário”, em sua opinião – que, talvez, possam ajudar a decifrar o futuro do uso de meios remotos no seguro, ao menos para os que atuam na comercialização. O corretor em questão é Alexandre Mantovani, diretor de Tecnologia do Sincor-SP, que acredita na completa transformação da forma de negócio da corretagem pela incorporação de tecnologias.

Segundo Velasques, Mantovani distinguiu o uso de meios remotos entre ferramenta e canal. Por enquanto, esses meios ainda são ferramentas para o setor, caso, por exemplo, do uso de senhas para acesso a serviços de saúde, inclusão de dependentes, emissão de segunda via de apólice etc. Mas nada impede que os meios remotos assumam a condição de canal. “Se não formos hábeis em usar essas ferramentas, elas se tornarão canal para alguém”, disse Velasques.

Do lado do segurador, ele garantiu que o desejo é que o corretor continue a desempenhar a função de intermediário na venda de seguros. Essa disposição foi demonstrada, segundo ele, desde que as seguradoras passaram a terceirizar para o corretor diversos serviços administrativos. “O mercado bancário também terceirizou seus serviços, mas para o usuário, por meio dos terminais ATM”, comparou.

No caso da Bradesco Seguros, na qual é diretor, Velasques comentou que já foi aprovada a tecnologia desenvolvida pela Vayon para a venda de microsseguro por celular. Outra iniciativa para expandir as vendas foi formar 550 correspondentes bancários, do quadro de 46 mil que a Bradesco dispõe, em corretores de seguros. “Optamos pelo modelo de formar corretores de seguros em vez de microsseguros, para que eles possam no futuro vender todo o portfólio de produtos”, explicou.

Caso os 220 mil correspondentes bancários que existem no país desejem seguir pelo mesmo caminho, Velasques acredita que o efeito positivo será triplicar a categoria, fortalecendo a base dos sindicatos estaduais da categoria. Por fim, ele concluiu que “a tecnologia não é uma inimiga se nos prepararmos e adequarmos para essa realidade”.

Formação fraca

O presidente do Sincor-SP não questiona a inevitabilidade da internet. Porém, preocupa-se em saber quem está atrás de uma ATM, por exemplo, e de que forma as dúvida do consumidor sobre seguros são esclarecidas. “O sindicato dos corretores está preocupado porque entende que o corretor não é o único canal, mas é o melhor, e assim quer ser lembrado pelo consumidor”, disse. É por esse motivo que Mário Sérgio também se preocupa com a fraca formação dos corretores de microsseguros, cuja carga horária é de apenas 30 horas.

“O microsseguro não deixa de ser um seguro. Se o microsseguro for denegrido irá respingar no seguro, que é uma coisa muito séria. Não podemos deixar que sua distribuição seja feita por pessoas não especializadas, que não tenham o mínimo de formação acadêmica”, disse. Mário Sérgio também é contra qualquer restrição aos corretores na venda do produto. “O microsseguro precisa estar disponível para todos, desde o pequeno até os grandes corretores, porque a capilaridade do corretor é que fará esse produto ter volume e respeitabilidade no mercado”, disse.

O dirigente questionou, inclusive, a conceituação de público-alvo do microsseguro, que, a seu ver, não deve incluir os indivíduos que possuem, por exemplo, modernos aparelhos de celular ou de televisão. “Para estes existe o seguro de baixa renda, que tem muito potencial, mas não é microsseguro”, ponderou. Ele também manifestou sua preocupação com a concorrência dos corretores de microsseguro. “Não enxergo este corretor como de microsseguro, porque ele será obrigado a vender todos os seguros para poder ter renda suficiente”, disse. Concluindo, o presidente do Sincor-SP reafirmou sua crença no avanço dos meios remotos. “A internet vem muito forte e se não nos aliarmos a ela seremos passados para trás”, disse.

Homenagem

No encerramento do evento, o presidente do CVG-SP, Dilmo Bantim Moreira, entregou uma placa a ambos os palestrantes como homenagem da entidade.

Registro Autoridades presentes: Sonia Regina G. Ribas da Costa (Gerente Regional) e Maria Helena Monteiro (Diretora de Ensino Técnico), ambas da Escola Nacional de Seguros, e o fundador do CVG-SP, Silvio Nececkaite Sant Anna. Imprensa presente: Crislaine Cambui e Pedro Duarte (CQCS); Márcia Alves (CVG Notícias); Thais Ruco (Rede ICP Seguros); João Carlos Labruna e Maurício Dias (Revista Segurador Brasil); Francisco Pantoja e Amanda Cruz (Revista Apólice); Paulo Kato e Camila Alcova (Revista Cobertura); André Pena (Revista Seguro Total) e Camila Correia (JCS).

Fonte CVG-SP
Fonte http://www.cqcs.com.br/

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Corretores indignados com norma que garante venda direta de seguros

A diretriz determinada pela CNSP de Resolução 297/13 publicada ontem (30/10), que estabelece a contratação de seguro sem participação do corretor ou de seu preposto, causou grande impacto no mercado de seguros gerando posições divergentes nos corretores de todo o Brasil.

“Este é o ponta pé inicial para banalização do trabalho desenvolvido pela classe dos corretores, que é um profissional qualificado e habilitado para venda de seguros”, afirma o corretor pessoa física, Edson Carvalho Gomes, ao falar sobre a do CNSP.

Ele confessa se sentir desprestigiado, a partir do momento em que as seguradoras e os agentes passam a trabalhar sem o papel deste profissional. “Tendo em vista que já a própria lei estabelecia há alguns anos atrás que o único profissional habilitado é o corretor de seguros, há uma contradição muito grande. Faz com que o mercado retroaja, ou seja, tudo que foi conquistado, esta indo pelo ‘ralo’”.

Compartilhando a mesma opinião, Wagner Martins, da Fundamental Corretora de Seguros, acrescenta que esta é uma luta constante para o corretor se inserir como profissional no mercado. “Os grandes riscos precisam de uma análise profunda e conhecimento. Deixar um mercado que exige esse conhecimento nas mãos de quem não tem fica vago. É como ir comprar um imóvel e não ter um corretor de imóvel para te auxiliar”.

Com 30 anos de mercado, Martins ressalta ter aprendido com o tempo a importância de ter um corretor, de ter um treinamento, além de “conhecer o mercado, estudar, entender a necessidade do cliente, de olhar como um agente do bem estar social, e não simplesmente fazer uma venda”.

Em contrapartida, Marcos Abarca, da Atributo Corretora de Seguros diz que o mercado vem passando por fortes transformações, e cada vez mais os integrantes tem sido chamados para se profissionalizar. De acordo com ele, nesse momento não pode-se dizer que haverá um ganho ou não. “Mas esse é o caminho, estão sendo definidas algumas mudanças importantes”.

E completa, “a tendência é o mercado ficar mais claro e as regras inflexíveis em determinados pontos de vistas. Isso vai se reduzir em profissionalização, então, cada um no seu terreno terá que fazer um trabalho muito melhor do que faz hoje, segurador, assessoria e corretor de seguros. Quem manda no mercado é o consumidor, ele vai comprar com quem ele se sente mais seguro”.

Nessa linha, o corretor Rafael Lopes Ferreira, da Niasa Personal Corretora de Seguros acrescenta, que a resolução veio para definir como as coisas devem ser feitas. “Organiza algo que estava bagunçado, qualquer um poderia fazer qualquer coisa. E a partir de agora existe uma regra, e cabe aos Sincors auxiliar os corretores para encontrarem o seu espaço. Eu vejo como uma grande oportunidade”.

Fonte CQCS – Crislaine Cambuí

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Regulamentação das assessorias causa apreensão no segmento

Publicada no início desta semana, a Resolução 297/13, do CNSP, de certa forma, surpreendeu os donos das assessorias de seguros, segmento que também foi regulamentado no bojo dessa norma. Isso porque algumas lideranças do setor temem pelos possíveis efeitos da caracterização das assessorias como representantes das seguradoras.

Há alguns dias, a Aconseg-RJ promoveu, inclusive, um encontro com associadas para discutir essa questão. Na ocasião, dirigentes da entidade revelaram que o assunto é polêmico, pois, na avaliação de especialistas, a categoria “representante” não consta do Código Civil, ao contrário dos agentes de seguros.

Foi anunciado também que a Aconseg-RJ iria encomendar um parecer do advogado Luis Felipe Pellon, titular do escritório Pellon & Associados.

Houve ainda quem reclamasse do fato de, ao contrário da primeira versão de minuta, a segunda não ter sido colocada em audiência pública para apresentação de sugestões, antes da aprovação pelo CNSP.

NORMA. Mas, não será possível mais alterar o texto da resolução, segundo a qual as assessorias de seguros passam a ser o representante de seguradoras que atuar exclusivamente na orientação e assistência a corretores de seguros.

Além disso, será vedada a inclusão da denominação de “assessoria de seguros” na razão social de representante de seguros que não atue apenas com corretores.

Essas assessorias não poderão promover a venda direta em nome de seguradora junto ao consumidor e tampouco atuar como corretor de seguros.

O pagamento pelos serviços prestados pelas assessorias de seguros não se enquadrará como comissão de corretagem.

As comissões de corretagem devidas por apólices comercializadas por meio de assessoria de seguros serão pagas diretamente ao corretor de seguros responsável pela comercialização da apólice.

Fonte CQCS

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Regra dá 7 dias para desistir de seguro

Para se proteger de defeitos que possam surgir após o fim da garantia do fabricante, muitas vezes o consumidor adquire a garantia estendida sem ler o contrato com atenção. Para dar um tempo maior de o consumidor se informar, o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) aprovou norma que permite, desde 28 de outubro, a desistência do seguro em até 7 dias após a compra.

Com norma, consumidor pode analisar se realmente precisa de garantia estendida

“Antes de adquirir a garantia estendida é importante analisar qual é a cobertura oferecida pelas outras duas (legal e contratual), pois muitas vezes o que ela oferece já está previsto em lei”, diz o advogado Vinícius Zwarg, especialista em Direito do Consumidor.

A garantia legal é obrigatória. Já a contratual é a concedida pelo fornecedor.

O notebook Sony da nutricionista Caroline Buratti parou de funcionar com 3 meses de uso. O aparelho foi reparado, mas logo apresentou o mesmo defeito. “Ele tem garantia estendida, mas o seguro só cobre as peças.” A Sony Brasil diz que informou a cliente sobre o período de garantia e o prazo para o reparo.

Segundo o advogado Josué Rios, o produto que após ser reparado voltar a apresentar o mesmo defeito deve ser trocado pelo fabricante. E, independentemente do engodo da garantia estendida, a consumidora tem direito ao reparo gratuito. “Ela deve ir ao Juizado para exigir a troca ou devolução do valor pago.”

Vício oculto. Com 1 ano de uso, a lavadora e secadora LG da leitora Andrea Pires parou de funcionar várias vezes. “Não optei pela garantia estendida. Com o valor gasto nos 4 reparos, poderia ter comprado outra.” A LG diz que o reparo não pode ser feito sem ônus, pois a garantia expirou.

De acordo com o advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor David Passada, não é normal um defeito em eletrodoméstico com 1 ano de uso. Parece ser vício oculto. “Neste caso, ao detectar o problema, a consumidora tem 90 dias para reclamar, diz o artigo 26 do Código de Defesa do Consumidor (CDC).” E, mesmo que esteja fora da garantia, o fabricante tem de solucionar em 30 dias, sem custo à cliente, afirma. “Ela deve ir ao Procon e pode entrar com ação no Juizado Especial Cível.”

A analista Maria Garcia comprou celular Motorola em agosto, que logo apresentou defeito. “Até o dia 23/10, ele tinha sido levado 3 vezes à assistência.” A Motorola disse que o aparelho ficará pronto em 14 de novembro.

Segundo a professora de Direito do Consumidor da PUC-SP Maria Stella Gregori, trata-se de vício de qualidade, previsto no artigo 18 do CDC. “O fornecedor tem 30 dias para o reparo. Se isso não for feito, a consumidora pode escolher entre: a troca por outro aparelho; receber o dinheiro de volta, com correção; ou o abatimento proporcional do preço. Mas, como é produto essencial, a Motorola deveria trocá-lo imediatamente, diz.

Fonte Estadão

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