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Eles garantiam na justiça o parcelamento de dívida e sumiam com o dinheiro do cliente durante o processo

Esteio – O dono de uma suposta financeira, de 34 anos, que funcionava em um prédio comercial no Centro de Porto Alegre, e uma advogada de Gravataí serão indiciados pelo titular da Delegacia de Polícia de Esteio, delegado Leonel Baldasso, na conclusão do inquérito policial que apurou o golpe do empréstimo consignado (com descontos indevidos) para aposentados e servidores públicos. A investigação iniciou no final do mês de junho. Ambos, segundo o delegado, responderão pelos crimes de falsidade ideológica e falsificação de documento público e particular.

“O inquérito deverá ser concluído, e remetido à Polícia, até o final da semana que vem. O grupo agia em todo o Estado. Só em Esteio havia mais de 30 processos ajuizados.” Segundo ele, na semana passada uma senhora cega, cujos documentos com a assinatura da mesma foram apreendidos, foi ouvida na DP e teve o depoimento formalizado. “Todos os documentos, contracheques, comprovantes de residência e cadastros, com diferentes assinaturas, apreendidos pelos policiais durante o cumprimento de buscas, no mês de julho, na suposta financeira, foram catalogados e minuciosamente analisado

Como funcionava o golpe

1. Os alvos da quadrilha são aposentados e servidores públicos que fizeram empréstimos consignados (pagos em parcelas descontadas no contracheque). Normalmente, quando essas parcelas atingem 30% do salário ou benefício, o usuário não tem mais direito a novos empréstimos.

2. Para obterem o empréstimo, acabam vítimas dos advogados que garantem cancelar a dívida. Para isso, o advogado entra com uma medida liminar na Justiça questionando o contrato assinado com o banco. Se a liminar é aceita, o desconto no contracheque é interrompido e a margem de 30% é recuperada.

3. A pessoa pode, então, fazer novos empréstimos. É aí que o advogado recebe pelo serviço e desaparece; abandona o processo. Assim, com o processo abandonado, cai a medida liminar e o antigo empréstimo volta a ser cobrado. Mas o pensionista já comprometeu o desconto em folha com o segundo empréstimo. Então, o pagamento da primeira dívida acaba sendo cobrado na Justiça.

Fonte http://www.diariodecanoas.com.br/ – Fernanda Bassôa

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