Está gerando muita polêmica a matéria publicada pelo CQCS sob o título “Criação de estatal preocupa corretores de seguros do Sul”, a qual trata de projetos de lei em tramitação na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em regime de urgência, que, entre outros pontos, permite a criação, pelo Banrisul, de uma corretora de seguros estatal. Segundo dirigentes do Sincor-RS, caso a proposta seja aprovada, o banco, que tem 485 agências e 11.870 funcionários, formará “uma rede gigantesca de venda de apólices”.

Segundo Edson Ianello, da Plena Corretora de Seguros, é preciso buscar a união da categoria para se superar esse grave problema. “A união não é a melhor forma de combater esse mal. É a única!”, adverte o corretor, para quem essa proposta é “mais uma aberração”.

Por sua vez, Flávio Antonio Mueller, da Mueller Corretora de Seguros, dá uma conotação essencialmente política para essa questão. Na visão dele, para o partido do governador Tarso Genro (PT) “é mais importante criar estatais, dar cabide emprego aos apadrinhados do que oferecer serviço de qualidade ao povo”.

Sob o mesmo prisma político, Valdinei Basseto, foi ainda mais irônico: “não percebem que os políticos querem arrumar uma forma de lavar dinheiro?”.

Já o corretor José Luiz adverte que a criação de uma corretora de seguros estatal virá apenas para “onerar o bolso do consumidor”. Para ele, é preciso apurar a quem interessa a criação dessa corretora. “É preciso saber ler nas entrelinhas desse projeto de lei”, acrescentou.

Da Oriento Consultoria e Corretora de Seguros, veio mensagem lembrando que o corretor de seguro “não pode ser funcionário público” e que a criação de uma corretora estatal “é ilegal”.

E, da Niasa Personal Corretora de Seguros, chegou o email do corretor Rafael, segundo o qual a criação essa corretora é mais um “caça níqueis político”. No entender dele, esse é um fato extremamente negativo para o setor.

Ainda mais enfático foi o corretor Miguel Angelo Barbosa Soares. “Estamos acabando. Mais um pouco e bastará fechar a tampa e jogar terra em cima”.

Da Tiphereth Corretora de Seguros surgiu a proposta de se proibir a participação de pessoas estranhas ao ramo como sócias de corretoras de seguros. “Quando isso acontecer, grandes grupos, bancos ou concessionárias de veículos não terão mais corretoras cativas, tendo de entregar a comercialização aos corretores”, argumenta o autor da mensagem.

Na matéria publicada pelo CQCS, o presidente eleito do Sincor/RS, Ricardo Pansera, já alertara de que é preciso questionar a formação ou habilitação desses funcionáriso do banco para a venda de seguros. Na avaliação dele, essa pode ser, inclusive, uma forma de “aperfeiçoar” a venda casada, prática condenada pelo Código de Defesa do Consumidor.

Para Pansera, outro fator que não recomenda a abertura da pretensa futura estatal é a constante mudança de direção em cada novo governo do estado. “Está historicamente provado que a atividade seguradora é típica da iniciativa privada, não havendo justificativa para que seja exercida por uma empresa estatal”, observou.

Fonte CQCS

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