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Ao mesmo tempo, cresceu também o volume de denúncias e reclamações contra as instituições no BC

Nos últimos dez anos, 42 milhões de brasileiros, de acordo com o Banco Central (BC), passaram a ter conta em banco. Em 2002, os bancos no País possuiam 55 milhões de clientes, saltando para 97 milhões no encerramento do ano passado. Ao mesmo tempo, com uma base maior de consumidores de produtos e serviços financeiros, o número de reclamações contra o setor no BC vem crescendo a cada ano. De 2008 para cá, considerando até outubro deste ano, o volume mais do que triplicou, saindo de 88,86 mil para 311,59 mil. “Só entre 2010 e 2012, o incremento na quantidade de denúncias e reclamações contra instituições financeiras no BC vem crescendo na ordem de 20%”, destacou o chefe do Departamento de Atendimento Institucional do BC, Fernando Lima Pereira Dutra.

Segundo o executivo, que participou na tarde de ontem como debatedor da mesa Regulação Bancária e seus reflexos para os Consumidores, no V Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira, esse crescimento no número de reclamações advém do avanço da bancarização no Brasil e da conscientização do consumidor sobre seus direitos. “Então nada mais natural esse aumento no número de reclamações. Além disso, devido à própria conjuntura, de inflação controlada, isso fez com que o consumidor passasse a ficar mais confiante e aumentasse seu relacionamento com os bancos. O crédito se tornou mais fácil e barato, intensificando essa relação”, justificou Dutra.

´BC está preparado´

Agora, com uma tendência de mais pessoas ingressarem no sistema financeiro, com a criação da figura dos arranjos de pagamento e a regulação de novos meios, explica, o BC inda não tem como mensurar o impacto sobre o mercado. “Mas o banco está preparado para atender e fiscalizar o atendimento a esse maior contingente de consumidores bancários. Já temos competência para isso. Além do que, o prazo de 180 para que a nova regulamentação passe a valer é suficiente para uma adequação”, emendou o chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC, Sérgio Odilon dos Anjos.

Estratégia

“Estamos trabalhando para fortalecer os atuais canais do BC para com o cidadão, atualizando os sistemas de informação, incrementando o atendimento presencial nas dez praças onde o banco atua. Porém, independentemente de estarmos nos capacitando, nossa estratégia é de fazer com que as próprias instituições financeiras sejam responsáveis e capazes de resolver possíveis conflitos por meio de suas estruturas de atendimento, melhorando o fluxo de informações com o cliente”, destacou Dutra.

Um desafio e tanto, sinalizou Sérgio Odilon, ao apresentar a dimensão atual do Sistema Financeiro Nacional: 2.045 instituições supervisionadas pelo BC, 97 milhões de contas de depósito à vista, 112 milhões de depósitos de poupança, 287 milhões de cartões de débito emitidos, 174 milhões de cartões de crédito e 67 milhões de operações de crédito ativas no País, o que equivale a um saldo de R$ 2,5 trilhões (junho de 2013).

Crédito mais robusto obtém maior força em imóveis

O perfil da composição do crédito de pessoas físicas no Brasil vem, nitidamente, sendo reconfigurado ao longo dos últimos anos. Em junho de 2007, por exemplo, 10,3% dos empréstimos correspondiam ao setor imobiliário, número que atingiu 25,8% em igual período de 2013, um aumento de 15,5 pontos percentuais.

Os dados foram divulgados ontem pelo diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil (BCB), Anthero de Moraes Meirelles, durante o painel Educação Financeira e Proteção, que integrou as atividades do segundo dia do V Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira. O evento acontece até hoje no Centro de Eventos do Ceará (CEC), em Fortaleza.

O crescimento do crédito imobiliário no País está ligado, sobretudo, ao programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida. De acordo com dados da Caixa Econômica Federal, desde o início do programa, em 2009, até junho deste ano, foram entregues 1,2 milhão de unidades habitacionais. Outras 1,5 milhão foram concluídas, 780 mil estão em obras, 482 mil estão sendo preparadas e 2,7 milhões de unidades já foram contratadas.

Embora venha crescendo há oito anos, o índice do endividamento imobiliário dos brasileiros frente a outras modalidades de dívidas vem sendo mais representativo desde 2009, ano em que teve início o Minha Casa, Minha Vida.

Veículos

Diferentemente do setor imobiliário, a participação de crédito ligado a veículos diminuiu consideravelmente. Enquanto em junho de 2007 o percentual correspondia a 24,1%, em igual período deste ano, correspondia a 17,7%, uma redução de 6,4 pontos percentuais.

O crédito rural também sofreu redução de 2,9 pontos percentuais, passando de 11,7% para 8,8%. Em contrapartida, o índice relativo a empréstimo consignado subiu de 15,7% para 18,1%, 2,4 pontos percentuais. O crédito referente a cartão (sem juros) também teve leve alta de 2,7 pontos percentuais, saindo de 5% para 7,7%.

Maior risco

Vale lembrar, ainda, que as modalidades de maior risco, como empréstimos sem consignação, cheque especial, crédito rotativo e compras parceladas pelas instituições financeiras vinculadas a cartão de crédito, tiveram queda significativa de 4,5 pontos percentuais. Em junho de 2007, o BCB registrou índice de 19,9% ligado a essas categorias. Em igual período deste ano, foram registrados pela instituição financeira 15%.

Sistema de informação

Quem também participou do painel no Centro de Eventos foi o chefe adjunto do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro do BCB, José Reynaldo de Almeida Furlani, que falou sobre o Sistema de Informações de Crédito (SCR) da instituição e o endividamento das famílias. Segundo ele, o Brasil conta atualmente com 65 milhões de pessoas físicas e 3,7 milhões de pessoas jurídicas com endividamento superior a R$ 1 mil.

O SCR é um banco de dados sobre operações com as características das operações de crédito realizadas pelas instituições supervisionadas pelo BCB.

Ainda de acordo com Almeida Furlani, a expectativa é que, em dois ou três anos, o SCR seja o único sistema da instituição com informações de crédito, substituindo documentos como Cadip, EstFin e SFH.

Fonte http://diariodonordeste.globo.com/

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